47º Aniversário FAE 18 junho 2026
- 22 de jun.
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Quando foi a última vez que tomou uma decisão importante sem consultar um sistema que não controla plenamente?
Celebrar a atividade do FAE é celebrar a partilha de conhecimento, pelo que o nosso 47º aniversário contou com a presença de Adolfo Mesquita Nunes, que nos desafiou a refletir sobre a IA. Segundo ele, o grande risco da Inteligência Artificial não é o cenário “black mirror” de máquinas que se rebelam contra os humanos, trata-se da cedência gradual, quase impercetível, da capacidade de decisão a sistemas opacos, desenvolvidos por terceiros, com objetivos que não coincidem necessariamente com os nossos. A conversa abordou este tema em três planos complementares:
▸ O nível individual
Uma pessoa livre pensa por si, pondera alternativas e assume as consequências das suas escolhas. A IA é, na sua melhor versão, uma ferramenta que amplifica essa capacidade. Mas existe uma linha ténue, difícil de traçar, entre usar a IA como alavanca e deixar que esta substitua o discernimento individual de cada um.
▸ O nível das organizações e dos seus líderes
A IA está a entrar nos processos de due diligence, de avaliação de risco, de alocação de capital, de recrutamento. Os sistemas recomendam, filtram, hierarquizam. E quando o modelo diz que sim (ou não), quem valida? Se os CEOs são quem responde quando o sistema erra, não deviam conhecer e determinar o algoritmo que processa os dados?
▸ O nível dos Estados e dos blocos económicos
O poder está a ser redistribuído em função de quem controla três variáveis: dados, capacidade computacional e modelos de IA. Um país ou uma empresa que dependa inteiramente de tecnologia desenvolvida, detida e controlada por terceiros está, de facto, a externalizar uma parte da sua soberania
A grande questão que se debateu de seguida, foi o que significa ser gestor num contexto mediado por IA, e que competências devem ser desenvolvidas para a que a gestão cumpra a sua mais elevada missão: criar valor sem perder com responsabilidade social.
A conversa com Adolfo Mesquita Nunes não foi um ensaio contra a IA. Foi uma conversa exigente sobre como a usamos. E o alerta é prático: Um sistema de IA não é neutro. Os gestores devem conhecer como decide o sistema que utilizam, perceber os seus pressupostos, os seus dados de treino, os seus incentivos e, inevitavelmente, os seus vieses. Quem gere uma organização e adopta estas ferramentas sem as compreender está a delegar poder de forma cega.
Fica a pergunta: Quem queremos que decida, o Algoritmo ou a competência humana?
A resposta não é tecnológica. É política. É ética. E vai definir, em larga medida, a natureza da liberdade – individual e colectiva – no século XXI.
Obrigado a Adolfo Mesquita Nunes pela qualidade e pela franqueza da conversa, permitindo-nos continuar a criar espaço para este tipo de reflexão em mais um evento FAE.
Um agradecimento especial à VdA, que acolheu a Assembleia Geral de aprovação do Relatório de Gestão e Contas 2025 – que antecedeu, como é tradição, o jantar comemorativo do 47º aniversário do FAE.































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